Entrevista | QUAD

Monotipia: Começo perguntando quando vocês se conheceram e como esse coletivo se formou?

Aluísio Cervelle Santos: Bom, em primeiro lugar, obrigado pela entrevista! Quanto à pergunta, bom, eu já conhecia o Diego de longa data, e passei a conhecer os outros dois quando ele me chamou para trabalhar na empresa de jogos de celular onde estavam.

Diego Sanches: A gente se conhece de vários lugares diferentes. Eu conheço Aluísio há mais de 15 anos. Tudo começou nessa empresa de games. O Schaal era diretor de arte e chamou primeiro o Ferigato e depois a mim para trabalhar lá, e eu chamei o Aluísio. Então foi ali que nós quatro começamos a efetivamente trabalhar juntos.

 

Monotipia: Como e em quanto tempo os quadrinhos entraram nessa dinâmica de trabalho?

Eduardo Ferigato: Os quadrinhos faziam parte de nossas vidas. De alguns, como eu e o Aluísio, mais profissionalmente. Ambos já trabalhamos em editoras brasileiras e americanas. O Diego era mais leitor, e o Schaal [vinha] com alguns trabalhos esporádicos. No entanto, todos nós tínhamos bagagem artística suficiente para produzir uma HQ. Em termos de técnica narrativa e arte. Então, em conversas de hora de almoço, um dia decidimos produzir algo mais autoral, onde tivéssemos total controle criativo e daí surgiu o projeto.

Diego Sanches: O Ferigato que veio com a ideia, porque tinha ido ao FIQ de 2011 e voltou decidido a lançar algo no FIQ de 2013.

Monotipia: A primeira ideia foi o embrião do que seria o Quad ou vocês passaram por outras possibilidades antes?

Eduardo Schaal: Sci-fi já era um tema em comum que batemos logo o martelo.

Aluísio Cervelle Santos: Sempre gostamos do gênero e quando decidimos cada um fazer uma história acabamos todos caindo no mesmo gênero. Acho que queríamos coisas legais para desenhar e motos voadoras, robôs foram as opções mais atraentes no momento.

Eduardo Schaal: O lance com a ciência nos atraia, para onde esse século vai nos levar. Aí começamos a tentar pensar em HQs nesta linha o pós-apocalíptico veio um pouco depois.

No meu caso, eu já tinha um look de personagem, que tinha criado para outra antologia de sci-fi, a Brutal, que havia saído no início de 2013. Eu tinha feito uma pin up, o que me faltava era criar uma HQ para ela.

Diego Sanches: Depois que decidimos o tema, começamos a discutir as histórias e foi aí que percebemos que elas podiam coexistir no mesmo universo.

Eduardo Ferigato: Foi por aí mesmo, primeiro definimos tudo, gênero sci-fi, histórias fechadas, paleta de cinzas, número de páginas. Tínhamos essa preocupação de criar um produto com uma identidade visual coesa.

Aluísio Cervelle Santos: Sim, a paleta de cinzas foi uma ideia que sanou dois problemas: o custeamento que ficaria reduzido, comparado ao de cores, e também ajudou a unificar nosso trabalho, já que cada um possui um estilo de traço bastante único.

 

Monotipia: E do ponto de vista narrativo, como vocês constroem universo? Até que ponto cronologia é importante para Quad acontecer?

Aluísio Cervelle Santos: A gente conversa muito sobre o background do mundo do QUAD, o que expor o que manter em segredo. Temos alguma coisa definida em timeline, porém não é algo que exploramos ativamente. No Quad 2, o Schaal continuou a sua história do primeiro, mas não necessariamente é o caso para os outros.

Diego Sanches: Na verdade tudo foi construído de forma bem orgânica.  O “world building” é importante somente como base para as histórias, entretanto a parte narrativa que interessa é o desenvolvimento dos personagens e conflitos.

Eduardo Ferigato: Criamos as histórias com bastante liberdade, só do Quad para o Quad 2, que decidimos  pontuar alguns acontecimentos mais marcantes no universo, para não criar incoerências.

Diego Sanches: Mas mesmo assim, mantendo tudo bem solto, a ideia é que o mundo agora é desse jeito, e vamos contar as histórias dessas pessoas vivendo nele.

Aluísio Cervelle Santos: Em cada história tentamos tocar em algum ponto do universo, no entanto geralmente as histórias não têm a ver com o desenvolvimento do mundo como um todo. Fazemos o contrário, mostramos um pouco do mundo dentro de cada história. O mundo em função da historia, e não o oposto.

Monotipia: E como vocês escolhem as histórias que vão entrar em cada volume? Rola algum tipo de seleção? Em algum momento vocês se encontram com um punhado de possibilidades e definem para onde aquela edição vai ou coisa assim?

Eduardo Ferigato: Não, cada um tem liberdade para escolher o que vai fazer. No máximo os outros dão sugestões e ideias. Mas cada autor segue seu caminho.

Aluísio Cervelle Santos: Estipulamos alguns prazos para que todos exponham suas ideias, e debatemos alguns pontos em cima de cada uma delas, como melhorar, o que ficou clichê, o que ficou bom, e cada um segue para escrever e terminar o roteiro.

Diego Sanches: A gente age como editor um do outro.

Monotipia: Tendo em vista que já são dois volumes, a partir do momento em que vocês decidem que os trabalhos de uma edição começaram, quanto tempo leva até estar tudo pronto para imprimir?

Aluísio Cervelle Santos: Nós levamos um tempo parecido de produção para o Quad e para o Quad 2. Com os roteiros prontos, levamos cerca de cinco meses até ter os encadernados em nossas mãos. Pode parecer muito tempo, mas na verdade conciliamos a produção do QUAD com outros trabalhos.

Eduardo Ferigato: Entre pensar no projeto, preparar campanha de Catarse, criar os roteiros e desenhar as histórias, até um pouco mais [de tempo], uns nove meses, eu diria. Tudo feito entre outros trabalhos. Entretanto, pensando só nas histórias, uns cinco meses mesmo.

 

Monotipia: Vocês têm trabalhado volume a volume ou projetam, de antemão, mais de um volume, à medida em que a vida e o Quad em andamento permitem?

Eduardo Ferigato: Estamos sempre debatendo os caminhos possíveis para o Quad e planejando projetos futuros. Mas o trabalho é feito volume a volume mesmo em termos de foco.

Diego Sanches: Os dois primeiros foram feitos assim, mas agora estamos começando a planejar mais para frente. Não sabíamos se daria certo no começo e não tínhamos nenhum tipo de plano de longo prazo, porém a recepção foi muito boa e percebemos que tem potencial para ir mais longe.

Aluísio Cervelle Santos: Além das publicações em papel, periodicamente soltamos no nosso site histórias curtas, gratuitas, para dar um gosto do que é o Quad para quem não conhece, e para saciar a vontade daqueles que aguardam um novo volume.

Monotipia: Há outros trabalhos, autorais ou não, em andamento dos quais vocês possam falar?

Aluísio Cervelle Santos: Estou no processo final de letreiramento de mais uma história curta pro site do Quad, e além do Quad 3, que deve sair no fim do ano, estou trabalhando em paralelo ao projeto que enviei ao ProAC (não contemplado com a premiação infelizmente, hehe) chamado Half-Pipe. É uma história de drama/horror que ainda estou definindo o roteiro, mas devo começar este ano a desenhar.

Eduardo Ferigato: Estou com planos para uma HQ nova, porém ainda está em fase de desenvolvimento, não sei se ela sai esse ano ou em 2016. E já estamos nos organizando para o Quad 3 no FIQ.

Diego Sanches: Eu tenho alguns planos também, entretanto nada está em ponto de mostrar. O que estamos planejando para este ano na verdade é o Quad 3, claro, e a estreia de um selo de HQ QUAD COMICS que terá as publicações fora do universo Quad, outras histórias e até outros autores.

Aluísio Cervelle Santos: Sim, a ideia é ter até mesmo histórias fora deste eixo sci-fi.

 

Monotipia: Vocês pensam em convidar outros autores para o Quadverso?

Eduardo Ferigato: O Selo Quad por enquanto não está diretamente ligado ao universo Quad. Então, por enquanto, não existem planos de chamar outros autores para o mundo apocalíptico. O plano é criar um selo para outras histórias em outro contexto.

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