Entrevista | Lita Hayata

Monotipia: Fale sobre sua formação, enquanto artista visual.

Lita Hayata: Sou formada em desenho industrial. Faço um curso de aquarela, pratico shodo.

 

Monotipia: Quais influências, no que se refere a movimentos e/ou artistas, você identifica no seu trabalho?

Lita Hayata: eu não vejo nada claro ali, no que eu mesma produzo. Nos quadrinhos parece bem mais puxado pra mangá. Mas não acho que realmente *aparecem* as coisas que consumo e estou buscando – tipo rumiko takahashi, bastien vives, sam bosma, eleanor davis, joaquin mir.

 

Monotipia: Há alguma predileção no que se refere a formatos e materiais?

Lita Hayata: sim. Os muito pequenos e baratos, pela praticidade e pela sensação de “sem peso para acertar” – tipo caderno, caneta, coisas pb, e materiais muito desajeitados e caros mas com uma flexibilidade e durabilidade grandes – tipo aquarela.

Monotipia: Conte sobre a dinâmica de produção dos seus trabalhos.

Lita Hayata: ando de ônibus, namoro, leio. Passo raiva, gosto muito, passo raiva etc. às vezes anoto coisas escrevendo, às vezes já rascunhando em um caderno pequeno. Penso em fazer um monte de séries, sento de manhã na mesa e desenho alguma das ideias. Tem um bocado de rascunhos Pra cada ideia, algum deles vale a pena finalizar, e ser der sorte finalizo o bastante pra ficar ok de publicar.

 

Monotipia: Quais costumam ser suas preocupações gráficas, no que concerne à construção de um ritmo visual, em seus trabalhos?

Lita Hayata: quero ser graficamente clara e narrativamente ambígua. São duas coisas e duas características diferentes quando a gente fala, mas talvez não devessem ser, no trabalho. Quero fazer alguma coisa limpa, com blocos grandes e pesados de cor, mas também muito orgânica, nada de brilho alienígena, nada de muito reto ou direito. Ao mesmo tempo coleciono e admiro manchas complexas, linhas sujas, que desaparecem, um monte de texturas. Tento fazer várias coisas consistentes, mas parecem extremos que não consigo conciliar ainda. Mas tento.

 

Monotipia: Conte-nos sobre seus trabalhos autorais.

Lita Hayata: tenho “bete vive“, o quadrinho. Ultimamente não tenho cacife pra escrever Bete, mas é o projeto mais longo, está aí desde 2013. Um novo é o “melaço“, só com histórias românticas entre meninas. A ideia é juntar uma galera pra esse. Tem uma história sobre a nossa ação (como humanos) sobre as coisas que não consigo escrever, mas tem personagem, lugar, sinopse e tal. E tem séries de aquarelas.

Monotipia: O que você tem produzido para além deles?

Lita Hayata: nada.

 

Monotipia: Por que pensar a imagem?

Lita Hayata: É uma pergunta difícil, ne? Soa meio como “por que a gente tem que falar?”. Não sei. Eu nasci isso já estava rolando e não parece ser uma necessidade. Acho que por curiosidade cada um tem um jeito de vomitar os próprios intestinos e olhar e ir vendo no que se tansforma aquilo que a gente consome. Comer coisas, botar pra fora, achar curioso, passar o tempo. Mas aí sou eu chutando um motivo, pode ser qualquer outra coisa.

Essa é a resposta geral pra uma pergunta geral. Se penso em “por que fazer a Bete”, por exemplo, aí é muito mais fácil, é porque é algo bom que eu sei que existe e ninguém me mostra direito, ninguém está publicando uma história assim, com um personagem assim. aí eu tenho que deixar de dormir e fazer. se alguém fizesse eu ia dormir, não tinha necessidade.

 

Monotipia: O que você tem lido ultimamente?

Lita Hayata: quadrinhos/ zines pequenos e independentes, mulheres daqui e algumas coisas que vem de fora. Quadrinhos coreanos online. Margaret Atwood, João Antonio, Haruki Murakami. Volta e meia releio partes do Ursula Le Guin, Garcia Marquez, Dragon Ball.

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