Entrevista | Cora Ottoni

Monotipia: Fale sobre sua formação, enquanto artista visual.

Cora Ottoni: Sou formada em Comunicação Visual Design pela UFRJ. Meu projeto de conclusão de curso foi a série de quadrinhos de ficção cietífica infanto juvenil com narrativa transmídia chamada “Os Zeladores do Tempo”, que consegui publicar em novembro de 2016. Além dessa formação acadêmica, já fiz cursos de história em quadrinhos (Casa de Artes Laura Alvim) e fundamentação em artes visuais (EAV – Parque Lage).

 

Monotipia: Quais influências, no que se refere a movimentos e/ou artistas, você identifica no seu trabalho?

Cora Ottoni: Desde sempre fui muito ligada em desenhos animados então tanto visual quanto narrativamente, eu me inspiro muito em animações. Desde os cartoons cartoons da minha infância como Laboratório de Dexter, Meninas Superpoderosas e A Vaca e O Frango quanto os mais atuais como Incrível Mundo de Gumball, Gravity Falls e Adventure Time, por exemplo. Gosto muito de produtos voltados ao público infanto juvenil, então acabo me inspirando bastante neles. Em relação a quadrinhos gosto muito de me inspirar nos europeus, nas tiras do Liniers, em Calvin e Haroldo e na quadrinista Sarah Andersen, que também faz tirinhas com temática de cotidiano.

 

Monotipia: Há alguma predileção no que se refere a formatos e materiais?

Cora Ottoni: Gosto muito de trabalhar tanto no digital quanto no analógico. Para fazer minhas tirinhas prefiro usar pincel, nanquim e meu sketchbook, porque gosto da ideia de ser uma coisa mais imediata onde não tenho que abrir meu computador, esperar o programa carrregar, pra depois fazer um rascunho, arte final, colorir. Quando faço manualmente, fora do meu computador, me sinto menos ansiosa. É todo um ritual: tenho a ideia, passo o lápis e depois as tintas. E aí mostro logo pra primeira pessoa que estiver comigo. Quando tenho que fazer ilustrações para freelas ou para prints acabo preferindo o digital pela facilidade do CTRL Z, por exemplo. Raramente faço tirinhas de forma digital. O meu quadrinho “Os Zeladores do Tempo” fiz dessa forma porque se tratava de um TCC onde tinha um prazo apertado e que eu deveria contar com os prós de se usar o Photoshop.

Monotipia: Conte sobre a dinâmica de produção das seus trabalhos.
Cora Ottoni: Em se tratando das minhas tirinhas, eu passo o dia inteiro pensando em possíveis ideias para colocar no papel. Vou anotando tudo no meu caderno ou nas notas do meu celular. Se tenho uma ideia, vou tentando esboçar layouts para que no final do dia tudo esteja o mais elaborado possível. Então abro meu sketchbook, faço todo o rascunho à lapis, passo a tinta preta e, finalmente, a segunda tinta, que varia muito de acordo com o clima da história que está na tira, normalmente uso cores que acho que tenham a ver com o tema.

 

Monotipia: Quais costumam ser suas preocupações gráficas, no que concerne à construção de um ritmo visual, em seus trabalhos?
Cora Ottoni: Me preocupo em manter a parte visual mais clara possível para que o leitor de meus quadrinhos entenda o que está sendo contado. Pra isso eu evito muita sobreposição de desenhos e faço cenários mais simples para o foco ficar nos personagens. O uso de poucas cores também se dá por conta disso, fora que acho o preto + uma outra cor, além do papel branco, uma combinação linda. Além disso, adoro fazer “movimentações de câmera” para auxiliar minha narrativa.

 

Monotipia: Conte-nos sobre seus trabalhos autorais.
Cora Ottoni: O primeiro quadrinho que publiquei é o volume um de “Os Zeladores do Tempo”, uma ficção científica infanto juvenil com uso de realidade aumentada para ajudar a contar a história. Se passa no futuro onde existem máquinas do tempo que viajam para o passado. Eu conto a história de dois irmãos gêmeos que sonham em ser agentes do tempo, os heróis dessa sociedade, mas tornam-se zeladores do tempo, que são super desprezados, mas mega importantes para o bom funcionamento da linha temporal.

Outro trabalho que publico com frequência na internet são minhas tirinhas da Corenstein, que é quase autobiográfica. Conto vergonhas que passei, coisas que faço durante os sábados à noite, pensamentos que tenho durante o dia.. Enfim, me coloco, eventualmente, em situações constrangedoras para não só eu rir de mim mesma, mas tentar fazer os outros rirem também e dessa forma tentar reduzir o nível de mico que pago diariamente. Esse projeto está até o dia 11 de outubro na plataforma de financiamento coletivo Catarse.

Monotipia: O que você tem produzido para além deles?
Cora Ottoni: Tenho engavetada uma ideia de roteiro para um curta de animação que quero muito desenvolver e algumas muitas ideias de quadrinhos para fazer. O que falta atualmente é tempo pra conseguir produzir tudo que eu gostaria.

Tenho estado muito tensa, estressada e ocupada com minha campanha no Catarse pra conseguir financiar a publicação do meu próximo livro: a coletânea das minhas tiras da Corenstein.

 

Monotipia: Por que pensar a imagem?
Cora Ottoni: Penso a imagem pra me expressar, colocar pra fora meus sentimentos, contar histórias, organizar pensamentos. Desenhar acabou tornando-se muito além de um caminho profissional, mas também algo necessário para mim, como uma terapia ilustrada. A imagem é essencial, tanto pra produção quanto pra inspiração.

 

Monotipia: O que você tem lido ultimamente?

Cora Ottoni: Esse ano me propus a ler o máximo de quadrinhos possíveis, então estou focando nisso. Até agora li desde quadrinhos mais recentes e de super heroínas como a Mrs Marvel, quanto algumas graphic novels mais “clássicas” como o “Três Sombras”, do Cyrill Pedrosa ou “Persépolis” da Marjane Sartrapi. Tenho passado pelos brasileiros atuais (como Escolhas, de Felipe Cagno, Gustavo Borges e Cris Peter nas cores) e venho pedindo indicações e comprando sem saber do que se trata. Enfim, tenho listado tudo que tenho lido. Tudo isso porque estava sentindo falta de uma bagagem visual e narrativa em relação a quadrinhos. Tenho curtido muito esse objetivo que me propus, e fico feliz que minha biblioteca de quadrinhos esteja aumentando.

 

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