Entrevista | Jessica Lang

Monotipia: Fale sobre sua formação, enquanto artista visual.

Jessica Lang: Bem, como muitos ilustradores e artistas, eu comecei a gostar de desenhar desde cedo. Na época de escolher meu curso, no entanto, eu não sabia que podia trabalhar com isso. Acabei escolhendo medicina veterinária e, um semestre depois, eu não aguentava mais e já havia percebido que existiam outras possibilidades mais interessantes para mim. Fui para o Design Gráfico e aprendi que havia diversas áreas de atuação referentes ao curso, como fotografia, identidade visual, tipografia, etc. Foi só após eu me formar e desistir de um possível mestrado em comunicação que eu decidi realmente trabalhar com ilustração.

 

Monotipia: Quais influências, no que se refere a movimentos e/ou artistas, você identifica no seu trabalho?

Jessica Lang: Eu tenho fases. Dependendo do momento, busco inspiração em lugares diferentes e em artistas diferentes. Também acho difícil de separar as coisas que eu simplesmente gosto das coisas que verdadeiramente influenciam no meu trabalho. Art nouveau é um estilo pelo qual tenho grande adoração. A fluidez e o cuidado com os detalhes são características que eu tento agregar a minha arte sempre que possível. Na área de quadrinhos, o nome que sempre está na ponta da minha língua é o da Laura Braga. Por outro lado, quando penso em cores, sempre penso em Van Gogh e em suas pinturas vibrantes.

 

Monotipia: Há alguma predileção no que se refere a formatos e materiais?

Jessica Lang: A arte digital é o meu chão. Fora isso, gosto de manter cadernos de esboços a lápis e aquarela, e voltei recentemente a fazer algumas experimentações com tinta a óleo. Fiz algumas aulas quando era pequena e até hoje conservo o gosto pelos pincéis. Esses trabalhos são apenas para mim, mas no final das contas, acho que essas experiências ajudam a evoluir minha percepção de pintura como um todo.

Monotipia: Conte sobre a dinâmica de produção dos seus trabalhos.

Jessica Lang: Minha produção se passa basicamente na frente do computador, acompanhada por café e listas musicais variadas. E essa é uma parte bem importante do meu trabalho, pois a música influencia no meu dia. Descobrir – ou redescobrir – um novo artista ou álbum me dá uma energia sem igual. E eu tento produzir bastante. Não gosto de ficar esperando a inspiração cair do céu. Procuro simplesmente começar a fazer alguma coisa e me esforçar ao máximo para obter um resultado satisfatório no final.

 

Monotipia: Quais costumam ser suas preocupações gráficas, no que concerne à construção de um ritmo visual, em seus trabalhos?

Jessica Lang: Eu começo com um esboço simples e tento fazer a imagem crescer a partir disso. Sempre tento pensar nos fundamentos em primeiro lugar, mas a verdade é que, quando começo a produzir, tento focar em como posso deixar aquele desenho mais interessante. Me pergunto que elementos eu posso acrescentar em termos de composição, luz ou cores para contar melhor aquele pedacinho de história ou deixar aquela página mais atraente. Para mim, isso é o mais importante numa ilustração: contar uma história.

 

Monotipia: Conte-nos sobre seus trabalhos autorais.

Jessica Lang: Nesse momento, eu e o Andrio Santos estamos produzindo Metalmancer, uma webcomic. Enquanto ele cuida do roteiro, eu faço a arte. Nós criamos o projeto e colocamos no Apoia-se, e agora estamos focando em melhorar cada vez mais a qualidade do trabalho. É uma história sobre bruxaria e heavy metal. É para ser uma leitura divertida, com um quê de estranho, brincando com alguns clichês do metal (embora você não precise gostar de metal para ler/entender), mas também é para ter uma história de horror por trás, com um lado mais dramático. Acabamos de publicar toda primeira revista, em que apresentamos os personagens. Agora a ideia é continuar aprofundando a trama, até fechar o primeiro arco, com seis revistas.

Monotipia: O que você tem produzido para além deles?

Jessica Lang: Eu trabalho em parceria com a Potato Cat, uma empresa de jogos. Eles já lançaram Cartas à Vapor por financiamento coletivo e estão prestes a colocar no Catarse um segundo projeto: Café Express. Dessa vez, eu fui encarregada por toda a arte gráfica do jogo e da campanha. Já está em fase de testes faz tempo. O Kevin e a Samanta, os criadores, já levaram o protótipo em muitos eventos e nós estamos muito felizes com a repercussão até agora.

 

Monotipia: Por que pensar a imagem?

Jessica Lang: Uma vez, li uma frase do Neil Gaiman que dizia que, para ele, o mundo era composto de histórias. Como jogadora de RPG e como leitora, eu acredito nisso. Como artista, também acredito que a imagem é parte fundamental de uma história. Quando ouvimos uma narrativa, formamos uma imagem a respeito dela na nossa mente. Quando reproduzimos essa história, essa imagem entra em ação para definir o curso de nossas palavras. Imagens podem evocar todo o tipo de sentimentos e reflexões e por isso são tão importantes.

 

Monotipia: O que você tem lido ultimamente?

Jessica Lang: Recentemente eu voltei a ler Tolkien. Gosto muito do universo e da narrativa do autor. Mas meus escritores favoritos, que não saem da prateleira, são Anne Rice – especialmente sua série das Crônicas Vampirescas – e Neil Gaiman. Adoro qualquer coisa que misture a fantasia e o sombrio.

Anúncios

Comente.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s